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Aquário da Fundação Zoo-botânica de BH será aberto neste sábado

Construção e aquisição do acervo custaram mais de R$ 5 milhões

 
Da nascente em um brejo na Serra da Canastra, no interior de Minas, até sua foz no encontro com o Oceano Atlântico, já no litoral nordestino, são 2,8 mil quilômetros de tradição, história e da rica cultura nacional refletidos nas águas de um rio presente na vida de 14 milhões de pessoas. O Rio São Francisco representa o que há de mais brasileiro e aqueles que pretendem compará-lo com o primo Amazonas argumentam que, apesar de menor, o passaporte exclusivamente verde e amarelo o garante no topo dos mais extensos entre os unicamente nacionais. E, a partir de sábado, os belo-horizontinos poderão visitar um pedacinho da imensidão do Velho Chico numa aula prática e teórica no Aquário da Bacia do Rio São Francisco, que será inaugurado no jardim zoológico.




Das carrancas protetoras aos meios de navegação usados no curso d’água, o aquário é todo ornamentado com símbolos do São Francisco. E, como nas páginas dos livros de Guimarães Rosa, o visitante é convidado a caminhar por 3 mil metros quadrados para desvendar cada cantinho do rio. Desde os tradicionais dourado e matrinxã aos exóticos pacu-caranha e tucunaré, em 22 tanques são expostas espécies variadas de peixes encontrados de Minas à Alagoas.
O aquário começou a ser construído em dezembro de 2006. Numa parceria entre a Prefeitura de Belo Horizonte e o Ministério do Meio Ambiente foram investidos R$ 5,5 milhões. Segundo o presidente da Fundação Zoo-Botânica, Evandro Xavier, a obra foi possível numa integração de esforços. “Que seja uma cruzada pela revitalização. O desafio é que as pessoas saiam da visitação com a ideia de preservar os rios”, diz.
 

Critérios
Com base na lista dos peixes encontrados na bacia, ao todo são 182 espécies, foram definidos dois critérios prioritários para seleção de quais seriam expostos no aquário: representatividade e necessidade de informações científicas. O primeiro critério foi considerado em situações extremas, sendo relacionados tanto os peixes muito conhecidos, seja pela culinária ou pela pesca, como aqueles pouco falados, ou até desconhecidos e sem nomes comuns, como é o caso de uma espécie da família dos rivulídeos. Segundo o diretor do jardim zoológico, Carlyle Mendes Coelho, eles vivem em poças d’água às margens do Rio São Francisco e no período de seca todos morrem, mas os ovos resistem e novos peixes nascem quando as chuvas voltam e novamente se formam as poças. O ciclo se repete e, consequentemente, o tempo médio de vida é de seis a sete meses. “Eles nunca foram mantidos em aquário. Será preciso aprender sobre os seus hábitos para transformá-los em informações científicas”, explica.

A partir da lista, 40 técnicos da Fundação Zoo-Botânica identificaram locais onde os peixes são encontrados e entraram em contato com os pescadores da região para conseguir as espécies. Numa expedição que percorreu mais de 5 mil quilômetros, quase duas vezes a extensão da bacia, técnicos conseguiram obter aproximadamente 1,2 mil exemplares. Deste total, fazem parte também os que foram comprados e doados por instituições parceiras no projeto, como o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).
Depois de levados para o jardim zoológico, os peixes são mantidos em quarentena, antes de serem lançados no aquário. O período de adaptação serve para evitar que aquele exemplar transmita doenças para os demais, principalmente fungos e parasitas. São feitos protolocos de tratamento e veterinários acompanham dia a dia a evolução do peixe por meio de exames.

Por causa do transporte e forma de captura e a retirada do animal de seu hábitat, acaba-se por gerar estresse e queda de resistência, o que facilita a contaminação. “Os carnívoros têm maior dificuldade de adaptação por causa da alimentação. É preciso adaptá-los à ração e, inicialmente, eles recebem peixe e filé de peixe. Já os onívoros e herbívoros aceitam com maior facilidade”, explica Carlyle. A dieta dos cascudos é baseada em algas e alimentos ricos em celulose, como casca de madeira, por isso, nos aquários é feita colonização de algas para que sirvam de comida. Por não produzirem vitamina C, é preciso incorporar o nutriente na alimentação.

Questões ligadas ao comportamento dos animais do próprio zoológico também serviram como experiência para facilitar o convívio entre espécies que compartilham o tanque. Por exemplo, o posicionamento de galhos protege os peixes menores e mais ágeis das espécies naturalmente predadoras. “Mas há casos, como o das piranhas, em que não é possível o compartilhar o tanque e é preciso mantê-las isoladas”, afirma Carlyle.

Fonte: Pedro Rocha Franco - Estado de Minas

4 comentários :

  1. o aquario e muito lindo, meus filhos adoraram. adorei o Zoo esta de parabens com este trabalho..

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  2. É sempre interessante vermos a divulgação de material genuinamente mineiro.
    E que esse aquario consiga ser mais bem preservado que o nosso heróico "Velho Chico".

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  3. gemte vou no zoologico urul dia 11 ou 12

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    1. Tire umas fotos bacanas (não use o flash, pois vai rebater no vidro) e mande para ser publicadas aqui.

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