Boo-box

Filtragem do aquário - Sistemas de Filtragem



Vamos falar um pouco sobre sistemas de filtragem, o coração de todo aquário, ainda mais importante quando falamos de peixes jumbo.

A evolução que houve nos últimos 20 anos foi impressionante, quando comecei no aquarismo era raro ver um peixe sobreviver mais que 5 anos em aquário, hoje conseguimos que nossos peixes tenham uma vida plena, morrendo de velhice naturalmente. Isso principalmente devido a boa qualidade de água que obtemos com a filtragem.

Acho que todo o aquarista busca a chamada água perfeita, aquela totalmente cristalina, sem partículas em suspensão, mas vale a pena dizer que, nem sempre água cristalina é garantia de água boa, nunca devemos descuidar da medição dos parâmetros, amônia pode se esconder em água cristalina e principalmente o pH deve ser verificado semanalmente. Da mesma forma uma água verde não significa que ela seja ruim para os peixes, é feia mas nem sempre indica parâmetros ruins.

Especialmente em aquários de jumbos e lotados é muito difícil, manter parâmetros zerados, meu aquário mesmo nunca apresentou, minha amônia tóxica é sempre muito baixa, bem longe de valores que poderiam causar danos aos peixes, vejam por minhas arraias, algumas aqui comigo há quase 3 anos, então, não se desesperem com índices baixos, o importante é sempre a estabilidade do sistema.

Vou falar aqui dos três tipos de filtragem, mecânica, química e biológica, sua importância e técnicas para montagem. Não vou explicar o ciclo do nitrogênio, uma vez que isso pode ser facilmente encontrado no Google e o amigo Edmar postou recentemente um artigo bem explicativo sobre isso.

Tipos de filtragem:


Como já disse, são três tipos, um bom sistema tem todos eles interligados, cada um tem sua importância e sua função específica, algumas coisas modem ser mudadas ou adaptadas, mas, todas tem que estar presentes. São elas:

Mecânica: 

Sua função é retirar partículas em suspensão da água, sejam restos de alimento ou fezes dos peixes. É um passo muito importante, tudo o que existe de orgânico no aquário, ao se decompor, se transforma em amônia, se retirarmos esse material do aquário antes que se decomponha, vamos evitar uma sobrecarga de todo o sistema.

Devem ser a primeira fase da filtragem, logo no início do sistema.

Normalmente se utiliza um material conhecido como perlon, uma manta acrílica que tem diversos usos, como estofamento de sofás, poltronas, roupas e bichos de pelúcia. Mais recentemente surgiram as placas de espuma, com porosidade diferente para capturar partículas de tamanhos diferentes e sacos de pano chamados de “shark bags”, particularmente não acho tão interessantes esses sacos para jumbos porque saturam muito rápido devido a grande quantidade de sujeira que esses aquários produzem.

Qual delas é a melhor?

Ambas tem vantagens e desvantagens, o perlon tem custo mais baixo, e é mais fácil de ser achado. A espuma é reutilizável, sendo ecologicamente mais correta, possui porosidade menor, possibilitando uma filtragem mais eficiente, como desvantagens, é muito mais cara, um pouco chata de limpar, demandando um certo tempo e não se encontra em qualquer lugar.

Química:

Retira substâncias químicas indesejadas da água, através de materiais absorventes ou adsorventes.

Basicamente são usados dois tipos de material: carvão ativado e resinas sintéticas.

Carvão Ativado: É produzido submetendo-se material vegetal (o melhor é casca de coco) a altas temperaturas e pressão, isso elimina a matéria orgânica e mantém apenas o carbono e a estrutura porosa que esse material vegetal tinha antes, é um elemento absorvente, as substâncias que queremos retirar do aquário ficam presas em seus poros com a passagem da água, exatamente por essa retenção, o carvão satura com o tempo e já não pode mais realizar sua função, devendo ser trocado geralmente a cada mês.

Já vi muita coisa sobre regeneração de carvão, sobre colocar no forno, deixar de molho em água fervendo, mas, nenhum deles realmente funciona, existem processos industriais que podem regenerar carvão, todos eles envolvem o uso de vapor a 140º e aplicação de pressão, ou seja, para aquários essa economia não vale a pena.

O carvão em aquários é excelente para a remoção de ácidos húmicos, que são responsáveis pela cor amarela da água, além de várias toxinas que são produzidas no aquário. O ideal é que seja usado em conjunto com as resinas.

Resinas Sintéticas: São materiais adsorventes, as impurezas são retidas na superfície da resina.
Existem muitas marcas e tipos de resinas no mercado, a mais popular é o Purigen, uma resina que tem atração por compostos nitrogenados (amônia, nitrito e nitrato), a grande vantagem dessas resinas é que, em sua maioria, podem ser regeneradas e usadas por um período maior de tempo.
Sua posição no sistema deve ser logo após a parte mecânica, no caso do carvão, e no final do sistema, depois das mídias biológicas, mas também podem ser colocas depois do carvão, isso apenas vai causar a sua saturação mais rápido.

Agora a parte mais importante, aquilo que realmente mantém nossos peixes vivos...

Filtragem biológica:

É feita através da ação de bactérias, elas se alimentam de substâncias que são nocivas aos peixes, nós cultivamos esses micro-organismos em nossos filtros, fornecendo substrato, uma casa para que essas bactérias cresçam e façam seu trabalho.

Via de regra as bactérias preferem vivem em lugares escuros, então seja qual for o sistema de filtragem escolhido, ele será mais eficiente se mantido ao abrigo da luz.

A filtragem biológica deve ser a base e principal tipo de filtragem em qualquer aquário jumbo, a quantidade de mídia usada vai depender da quantidade de peixes e de seu tamanho.

Independentemente de qual tipo ou marca de mídia será escolhido, é preciso prestar atenção em alguns fatores para que haja um bom crescimento bacteriano e consequente eficácia na filtragem, são eles a quantidade de oxigênio disponível e o pH.

A importância do oxigênio acho que não preciso dizer muita coisa, mas o pH é um fator muito importante e que poucos aquaristas conhecem.

Todas as bactérias benéficas se desenvolvem melhor em pH alcalino, entre 7,3 e 8, abaixo de 6,2 as bactérias entram em letargia ou morrem, ou seja, a atividade de toda a parte biológica quase para. Por isso que em aquários com pH muito baixo a quantidade de amônia é altíssima, não importa o quanto de mídia ele tenha, ela está vazia de vida.

Mas é verdade que a amônia tóxica (NH3) se transforma em amônio (NH4 que não é tóxico) em pH baixo, isso pode levar algumas pessoas a pensar que um aqua com pH 6 é melhor que um a 7, porque assim não terá que se preocupar com filtragem ou amônia, poderia ter o aqua sem mídia mesmo. Isso é um erro, com esse pH não existe quase atividade bacteriana, o amônio realmente não é tóxico mas, o nitrito continua sendo em qualquer pH e ele vai se acumulando e atinge altos níveis, além disso o pH baixo demais causa danos fisiológicos progressivos em muitos peixes que não estão adaptados a isso.

Mas então o que fazer no caso de uma bobeada com o pH?

Vamos lá, você se descuidou e seu pH foi a 5.

A primeira coisa a fazer é ignorar o teste de amônia, ele vai ficar preto mesmo, não entre em desespero. Você não pode subir de uma vez o pH, além de correr o risco de transformar o amônio em amônia tóxica, seu filtro estará quase sem vida e isso vai precisar de algum tempo para se resolver, isso sem mencionar o choque de pH em si.

Suba 0,2 por dia, faça isso até chegar em 6,2, nesse momento mantenha esse pH por, pelo menos, uma semana, depois passe pra 6,4 e mantenha mais uma semana, passe para 6,6 e adicione acelerador de biologia nesse momento.

Para jumbos considero ideal uma faixa de pH entre 6,7 e 7, entre esses valores você vai poder manter praticamente qualquer peixe, com exceção dos ciclídeos de lagos africanos, e vai ter uma boa biologia no filtro.

Em tudo que existem no aquário e tem umidade suficiente há o crescimento dessas bactérias benéficas, mas existem materiais criados especialmente para esse fim, eles foram desenvolvidos para sistemas específicos e sua eficiência está diretamente ligada ao seu uso correto, são eles:

Bio Ball: Bolas feitas em plástico, elas foram criadas para o sistema dry wet, funcionam apenas se estiverem emersos, ou seja, fora dágua num sistema de chuveiro, hoje em dia são pouco usados e podem ser substituídos por outros materiais mais baratos sem problemas, como bobs de cabelo cortados ao meio, conduíte elétrico cortado em pedaços de 1 cm ou mesmo sacos de cebola dobrados.
Seu princípio de funcionamento é simples, por ficarem em contado com o ar, eles recebem uma quantidade maior de oxigênio e isso favorece o crescimento bacteriano em sua superfície, são poucos os filtros ainda hoje que usam esse tipo de filtragem "seca", talvez por falta de informação, uma vez que é um sistema de alta eficiência

Mídias “Cerâmicas”: Estou dando esse nome apenas a mídias submersas diversas para simplificar, a maioria possui formato tubular, são porosas, o que proporciona uma maior superfície de fixação, no início aqui no Brasil se usava cacos de telhas de barro, que também são porosas, depois com a abertura das importações tivemos acesso a novos materiais mais eficientes, primeiro cerâmica propriamente dita e depois as novas e, extremamente porosas, mídias de vidro sintetizado e quartzo, que são muito porosas e praticamente são responsáveis pela viabilidade de sistemas de lotação.

Hoje temos no mercado várias marcas de mídias, lá fora então as possibilidades são imensas, tantas que fica até difícil se manter atualizado, mais difícil ainda dizer qual delas é a melhor. Pelo que tenho lido, a que é tida como mais eficiente é a Biohome, uma mídia na forma de peletes que tem poros maiores, não encontrei muita coisa aqui sobre ela, não sei se já chegou no país.

O grande diferencial desse tipo de mídia de vidro sintetizado é que, além de propiciar o desenvolvimento de bactérias aeróbicas, que transformam detritos em amônia, amônia em nitrito e nitrito em nitrato, como possuem enorme porosidade, criam um ambiente anaeróbico, ou seja, sem oxigênio, onde se desenvolvem as bactérias que transformam o nitrato em nitrogênio livre, fechando assim o ciclo e ajudando a manter essa substância em níveis mais baixos.

No mercado nacional vejo algumas marcas mais populares, as melhores, na minha opinião, são a SIPORAX e MATRIX, logo depois temos a popular ISTA, com preços muito mais baixo.
Qual eu uso? ISTA, por uma razão simples, seu preço, 5 a 6 vezes menor que o SIPORAX. Sempre que se entra nesse assunto, a relação custo x benefício das mídias, nunca se chega a um consenso, não existe um teste idôneo comparando todas as marcas, utilizando metodologia científica para analisar os resultados. Tudo o que se tem são testes dos próprios fabricantes ou experimentos que não comprovam nada. Aqui eu tenho pouco mais de 100 litros de ISTA rodando num aqua lotado há praticamente dois anos e meio, os peixes estão crescendo e os parâmetros se mantém estáveis.

Devido a enorme variedade que existe hoje no mercado, seu preço e tempo necessário para testar devidamente cada uma, não tenho como opinar sobre outras marcas, essas 3 são conhecidas e tem sua eficiência comprovada.

Então, via de regra, se você tem pouco espaço para mídia, use SIPORAX ou MATRIX sem dúvida.

Se você tem grana o bastante para preencher todo o espaço de seu filtro com elas, melhor ainda.

Agora, se não, vá de ISTA mesmo que o resultado não é ruim.

Mídias fluidizadas: Foram criadas para o sistema conhecido como “moving bed”, podem ser sintéticas ou naturais, as naturais são conhecidas como areia de filtro, nada mais que grãos de areia de origem sílica. As sintéticas possuem várias formas e tamanhos, a mais famosa é a K1, normalmente são feitas em plástico e pouco conhecidas no mercado brasileiro.
Sistemas:

Sistema plantado: Como o nome já indica, é feito utilizando plantas, no caso, plantas flutuantes. Por que? Por estarem com as folhas fora dágua, retiram o CO² de que precisam do ar e não da água, coisa que seria um grande problema se fosse utilizada uma planta submersa.

Em especial o aguapé (Eichhornia crassipes) possui grande capacidade de limpar águas poluídas, sendo usado inclusive em estações de tratamento de esgoto.

É o sistema mais simples e barato que existe, basta canalizar a água que sai do aquário para um lago externo onde ficam as plantas, direto sem passar por qualquer processo, no lado oposto do tanque é feita a captação para o retorno ao aquário, nessa parte é necessária colocação de filtragem mecânica para retirar os restos de plantas que podem entupir a bomba e também carvão ativado.
A manutenção se restringe a trocar ou limpar essa parte mecânica e ir fazendo a retirada do excesso de plantas, para que elas sempre tenham espaço para se reproduzir e crescer, retirando mais material da água.

Esse seria o meu sistema aqui em casa se não fosse sua grande desvantagem, como o aguapé precisa de muita luz, fica praticamente impossível manter esse sistema em local fechado, ela precisa de sol pleno, aqui na região sudeste fica impossível manter a temperatura do aquário com um lago externo no inverno, mas é uma ótima opção para as regiões centro-oeste, norte e nordeste do Brasil.

Existem alguns sistemas que são utilizados de acordo com o tipo de aquário, podem ser conjugados, tornando a filtragem ainda mais eficiente.

Moving Bed: Sistema pouco explorado no Brasil, aqui o modelo mais conhecido é o filtro de areia, basicamente esse sistema consiste em fluidizar a mídia onde as bactérias vão se fixar.

O que isso faz?

Com a movimentação constante da água, existe uma enorme oferta de oxigênio para as bactérias, que logo colonizam toda a superfície disponível na mídia, ai vem a grande sacada desse sistema, se a mídia ficasse estática, sem movimento, essa colônia de bactérias não cresceria mais, com isso sua eficiência seria limitada pois são necessários menos nutrientes para se manter que para se reproduzir, com a movimentação da água, as mídias acabam colidindo umas com as outras, fazendo com que parte dessas bactérias se desprenda e abrindo espaço para o crescimento da colônia.

Esse sistema é muito eficiente para a transformação da amônia em nitrito e nitrito em nitrato, mas se limita a isso, portanto não deve ser o único sistema do aquário e sim um anexo em complemento a outros.

A eficiência desse sistema é muito maior em aquários marinhos, onde essas bactérias que se desprendem da mídia são retiradas do aquário pelo skimmer. Também é muito utilizado em sistemas de lagos por causa de não estupir com facilidade.



Filtros internos:


Filtro de esponja: Pode ser ligado a uma bomba submersa ou compressor de ar, possui uma esponja porosa que serve tanto para reter partículas da água como também possibilita a colonização por bactérias aeróbicas, devido a saturação da esponja pelos detritos, necessita de manutenção regular, semanal ou mais frequente, com isso não consegue manter uma colônia de bactérias saudável por muito tempo, é um sistema auxiliar de outros já existentes, muito usados em aquários com peixes para venda.

Filtro de bactérias modular: Esse filtro foi uma grande evolução para a aquariofilia quando foi lançado e ainda hoje é usado em muitos aquários por ai. Pela primeira vez no Brasil se tinha um filtro completo, que reunia todos os 3 tipos de filtragem, por um bom preço, tornando-o acessível para a grande maioria dos aquaristas.

Por ser modular, permite uma customização personalizada, podendo ser adequado a qualquer tipo de aquário ou função. Infelizmente sua eficácia em aquários de jumbo acaba sendo limitada por seu tamanho, inviável para aquários lotados pois exigiria alta manutenção. Outro inconveniente é que ocupa um espaço razoável dentro do aquário, não sendo algo esteticamente agradável, mas uma ótima opção para aquários de engorda ou de até 250 litros.

Filtros externos:


Filtro hang on: Ficam pendurados na parte traseira do aquário, normalmente escondidos, apenas com o cano de coleta da água a mostra. Possuem capacidade muito limitada de filtragem, foram criados para aquários pequenos ou com fauna reduzida, podem ser usados para jumbos médios desde que se aumente a capacidade deles com a adição de mídias de alta performance.

Canister: Um sistema silencioso, ótimo então para aquários localizados em lugares onde o som de água caindo poderia causar incomodo, em quartos ou com pessoas com baixa tolerância a ruídos. Podem ser dimensionados para atender a praticamente qualquer tamanho de aquário, reúne todos os tipos de filtragem e também é modulado, pode ser preenchido da forma que for mais conveniente, caso a caso.

Em sistemas lotados pode não ser a melhor escolha, devido a limitação de espaço satura com mais rapidez e precisa de maior manutenção, por causa dessa limitação de espaço, recomento a utilização de mídias de alto desempenho, SIPORAX, MATRIX ou similares.

Tem como desvantagens seu preço, muito mais alto que o de outros sistemas, geralmente fica em um nível inferior em relação ao aquário, por conta disso e de ser um sistema que precisa estar bem vedado, em caso de vazamento pode alagar a casa, por fim, possui peças que se desgastam com o tempo e se não for possível achar peças de reposição par o modelo escolhido, o filtro todo estará perdido.

Dry Wet: A grande evolução na filtragem, o dry wet é o sistema que deu origem aos sumps que a maioria dos aquaristas usa hoje, os sistemas são muito parecidos, originalmente foi criado para ser lateral ou ficar na traseira do aquário, como um sexto vidro, é composto por uma parte conde ocorre a filtragem mecânica, essa parte fica acima do nível da água do resto do filtro, a água após passar, cai por gotejamento para a primeira parte da filtragem biológica, a chamada parte "seca", para essa função foi criado uma mídia específica, os bio balls, essa parte é extremamente eficiente na parte aeróbica da filtragem, degradando amônia em nitrito e nitrito em nitrato, depois a água seguia para a parte "molhada", onde fica a mídia cerâmica que termina o serviço, após isso a água é devolvida para o aquário por uma bomba submersa.

Curiosidade: No início desse sistema, não existiam ainda as mídias de vidro sintetizado, que favorecem o desenvolvimento de uma fauna anaeróbica para transformar nitrato em nitrogênio, uma solução encontrada para os aquaristas para isso foi deixar um saco com carvão ativado já usado em um ponto com menos circulação de água, no interior desse material se formava um ambiente propício para essas bactérias e reduzia um pouco o problema com os nitratos.

Sump: A evolução do sistema dry wet, é um sistema que tem que ser montado, geralmente é feito em vidro e é o responsável pela popularização do aquarismo em especial do aquarismo jumbo, pode ser feito de qualquer tamanho e formato, permite aquários mais lotados pois pode ser feito já pensando em um dimensionamento da filtragem para esse fim.

Existem infinitas possibilidades de desenho para esse sistema, o mais básico possui 3 compartimentos, um para a filtragem mecânica e química, um para a biológica e outro para a bomba de retorno. Considero o ideal com pelo menos 5 compartimentos, com uma câmara pequena e vazia, para decantação de alguma partícula de sujeira que possa passar pela parte mecânica, evitando assim o entupimento das mídias.

Geralmente são colocados na parte inferior do aquário, quando possível escondido dentro do móvel.

O ideal é que tenha a capacidade de pelo menos 20% do aquário, mas pode ser maior, na verdade, quanto maior vc puder fazer o sump, melhor será, pois, além da filtragem em si, ele aumenta o volume total do sistema, melhorando a qualidade da água.

Por sua estrutura, permite o fácil acoplamento de vários outros sistemas de filtragem e ainda pode ser usado como engorda para peixes pequenos.

Tanto o sistema Dry Wet quanto o Sump, precisam de manutenção com a troca ou limpeza da parte mecânica, regeneração ou troca da parte química e a cada oito meses a um ano, a limpeza das mídias biológicas, utilizando a própria água do aquário, em uma TPA por exemplo.

Para facilitar esse processo de limpeza das mídias, é interessante que elas sejam colocadas em sacos, como esses de laranja, de material sintético para que não apodreça e que permita uma boa circulação de água.

Vocês devem ter percebido que não citei aqui as mantas removedoras nem produtos mágicos que retiram amônia ou mesmo a famosa areia de gato. Isso porque todos esses materiais são paliativos, só devem ser utilizados em casos extremos e mesmo assim por pouco tempo, devemos ter uma filtragem eficiente e nunca depender de produtos químicos para fazer aquilo que é função da parte biológica, depender desses produtos é um erro que pode custar muito caro, por exemplo, se por um acaso eles esgotarem na loja e você não conseguir comprar mais, da noite pro dia, seus parâmetros vão pro vinagre e você perde todo seu aquário.

Filtro UV também não será tratado agora pois tecnicamente o UV não é um filtro, é um aparelho para esterilização de água ou eliminação de algas verdes.


Renato Moterani
Esse texto é de autoria de Renato Moterani. Publicado com sua permissão.
Siga o Renato Moterani em:
https://www.facebook.com/renato.moterani.1
https://www.facebook.com/groups/289

Falta de Energia, o que fazer?

Bom, a ideia original era falar sobre medidas de emergência em casos de falta de energia, mas devido a algumas pessoas que me perguntaram sobre nobreaks e geradores de força, resolvi estender um pouco o assunto.

Pra começar, vou falar um pouco sobre bioquímica do aquário (assunto chato, mas que pode salvar seus peixes se você interpretar bem a situação), com o aquário em funcionamento, a circulação da água promove tanto a passagem do oxigênio do ar para a água quanto a do gás carbônico da água para o ar, as concentrações dos compostos químicos é muito parecida em todas as partes do aquário e a amônia e nitrito estão em constante degradação devido à passagem pelo filtro.

Quando falta energia, a circulação é interrompida, logo de cara a troca gasosa é prejudicada, com a água parada essa troca se restringe a camada mais superficial, formando zonas pobres em oxigênio e ricas em CO² próximas ao fundo, razão pela qual os peixes ficam na superfície buscando uma água melhor.

Vale sempre lembrar que nem sempre os peixes morrem por falta de oxigênio, a saturação por CO² talvez seja mais perigosa.

Mas além desse problema, existe o acumulo de dejetos, durante todo o tempo os peixes estão excretando amônia, que vai se acumulando e podem intoxicar peixes mais delicados, em especial arraias. Há algum tempo fiquei por 12 horas sem energia em casa, por mais de 3 horas não fiz absolutamente nada no aqua e todos os peixes estavam muito bem, mesmo os mais sensíveis à falta de oxigênio, como tucunarés e a cachorra, sempre mantenho índices muito elevados de O² dissolvido e isso ajudou muito naquele dia, mas depois desse tempo, notei que o comportamento das redondas mudou e de tranquilas elas passaram a ficar agitadas, quando uma iniciou o famoso death curl eu já corri e iniciei uma TPA. Eu acredito que esse mal estar das arraias foi causado pelo acumulo de substâncias tóxicas e não pela falta de oxigênio, levando em conta o estado dos demais peixes do aquário.

Ainda resta a questão da falta de oxigênio para as bactérias do filtro, eu acredito que isso vai variar muito de caso para caso, aquários mais lotados, onde existe uma atividade enorme das bactérias, é mais vulnerável a falta de O², aquários estabilizados, com amônia zerada ou quase e poucos peixes terão um tempo muito maior de sobrevida, assim como um sump vai resistir mais tempo que um canister.

Mas ok, acabou a energia agora... O ideal seria ter alguma coisa em stand by para emergências (ideal, mas a maioria dos aquaristas não tem...inclusive eu...rs), dai vem à pergunta: Nobreak ou gerador?
Vou explicar brevemente ambos os equipamentos e citar suas vantagens e desvantagens, lembrando que não entendo muito disso e as informações aqui descritas foram baseadas naquilo que a equipe de engenharia elétrica aqui do Butantan me passou.

Nobreak Senoidal: É um equipamento que gerencia o fornecimento de energia, acionando automaticamente uma bateria reserva em caso de corte no fornecimento, ele fica plugado o tempo todo na rede elétrica e mantém os equipamentos ligados durante o tempo que a carga da bateria suportar, isso varia bastante de acordo com a capacidade da bateria usada. Seu preço com bateria é a partir de 500 reais (usado).

Vantagens:
  • Silencioso
  • Acionamento automático em todos os modelos, assim como a recarga da bateria
  • Sem emissão de gases

Desvantagens:

  • Preço mais elevado nos modelos mais básicos
  • Autonomia limitada à carga da bateria, segundo o pessoal aqui, os modelos mais potentes seguram no máximo 6 horas, a maioria é em torno de 2

Gerador: Basicamente é um motor, normalmente movido à gasolina (alguns a diesel), que gera uma corrente elétrica, possui uma imensa variedade de modelos e potência, variando os preços de 350 a mais de 2500 reais.

Vantagens:
  • Autonomia ilimitada, o combustível pode ser reposto e funcionar pelo tempo que for necessário
  • Menor custo no caso de modelos mais básicos
  • Possibilidade de manter quase todo o aquário funcionando (com exceção dos aquecedores), mesmo no caso de aquários grandes.
  • Possibilidade de acionamento automático em caso de falta de energia

Desvantagens:
  • Barulho e emissão de gases poluentes, precisa ser instalado em local aberto (praticamente impossível para apartamentos)
  • Necessidade de acionamento manual em caso de falta de energia nos modelos básicos
  • Nos modelos mais baratos é preciso estabilizar a corrente antes de ligar os aparelhos

Considerações finais:

Vejo muita gente usando compressores de ar a pilha em caso de falta de energia, isso funciona por algum tempo e no caso de peixes mais resistentes, se você tem arraias eu não aconselho confiar a vida de suas redondas a apenas um compressor de ar, não que nunca funcione, mas não acho que vale o risco.

Se vc mora em apartamento só resta optar por nobreaks, NUNCA confie em informação de vendedor sobre sua autonomia, faça um teste para ter certeza do tempo que a bateria dura e tenha certeza que o modelo que vc vai comprar é SENOIDAL.

Geradores precisam de algumas modificações nas tomadas para facilitar seu uso e tem que ser ligado pelo menos a cada 15 dias para manutenção e evitar deterioração do combustível em seu tanque (deve ser trocado, assim como o óleo do motor de acordo com o informado no manual do equipamento).

Então qual o ideal?


Para quem mora em casa e realmente quer ter segurança total, o ideal é ter ambos, um bom nobreak para o caso de uma falta de energia em um momento que ninguém estiver em casa ou durante a madrugada, e um gerador para segurar os equipamentos pelo tempo que for necessário até que a energia volte, uma opção mais cara (2.500 reais) é um gerador com partida automática, nesse caso o nobreak não é necessário.

Mas e quando não temos nada disso?

A partir de 30 minutos sem energia já recomendo observar com atenção o comportamento dos peixes, em caso de alteração na cor, movimento irregular, respiração ofegante na superfície, já é necessária uma intervenção.

Existem duas possibilidades, vc pode ou movimentar a água, com um balde, retirando a água do sump e jogando no aqua, ou fazer TPAs 20 % de tempo em tempo, sempre usando condicionador, até que a energia volte.

O tempo que cada peixe vai levar para sentir vai variar de acordo com a espécie e, principalmente de acordo com as condições do aquário, ai entra um alerta muito importante para todos aqueles que querem partir para lotação, todo o aquário lotado vive no fio na navalha, são sistemas que estão sempre usando o máximo de sua capacidade e por isso mesmo, muito mais sensíveis e sujeitos a um colapso.

Ou seja, um aqua com poucos peixes pode ficar horas e horas sem que eles sintam, um lotado vai conseguir isso por meia à uma hora apenas.

Importante: NUNCA fique sem condicionador em casa, tenha o suficiente sempre para pelo menos 3 TPAs, se quiser pode até deixar alguns tubinhos daqueles mais baratos de reserva, mas tenha, se por acaso acontecer um problema durante a noite, num domingo ou feriado e você não tiver ao menos condicionador para as TPAs de emergência, vc com certeza perderá peixes. O intervalo entre essas TPAs vai variar tb de acordo com as condições do aqua, podendo ser de hora em hora ou a cada 90-120 minutos, vai depender de como os peixes estiverem.

Se a energia demorar mais que 4 horas para voltar não alimente os peixes nas próximas 24 horas.

A questão da morte das bactérias do filtro ainda é polêmica, não sei até onde é ou não verdade, na dúvida eu aconselho fazer circular um pouco de água do aquário a cada meia hora para renovar a que estava entre as mídias, afinal, vc vai estar ali sem fazer nada mesmo, não custa prevenir.

Eu sei que emergências são coisas que não podemos prever, mas podemos nos preparar para elas, então, coisas básicas que podem salvar seus peixes:
  • Tenha o telefone da companhia de energia da sua região sempre a mão, assim que a energia cair, já entre em contato informando o ocorrido para agilizar o atendimento e peça uma estimativa para o reestabelecimento da energia
  • Mantenha seu estoque de condicionador para TPAs de emergência
  • Procure se informar de lojas (se possível 24h ou procure saber qual aquela que fecha mais tarde e/ou abre aos domingos e feriados), onde vc possa ir comprar mais condicionador caso o seu acabe
  • Mantenha a calma e se concentre nos peixes, sua percepção vai fazer toda a diferença

Pra finalizar, vou repetir aquilo que aconteceu comigo há alguns meses...

Durante uma tempestade num sábado, a energia acabou as 17:00, me informaram que iria retornar as 23:00. Por 3 horas acompanhei os peixes e todos estavam muito bem (lembro que tenho 80 peixes entre eles 12 arraias), depois disso as arraias começaram a sentir e comecei as TPAs.

Depois das 23:00 a luz não voltou e a Eletropaulo já me dizia que não havia previsão para a volta, então a cada hora eu fazia uma TPA, que demorava em média uma hora e vinte para terminar (500 litros em cada TPA), às 3 da manhã, depois da terceira TPA, fiquei sem prime, peguei o carro e fui correndo até uma loja 24 horas e comprei mais condicionador, para pelo menos mais 7, passei a noite assim, entre as TPAs eu jogava água pelo filtro para circular um pouco (fiz meu sump em U invertido já pensando nisso).

A energia voltou as 5:00, exatamente 12 horas depois, sem nenhuma perda.

Enfim, espero que tenha ajudado, qualquer dúvida estamos ai...


Renato Monterani
Esse texto é de autoria de Renato Moterani. Publicado com sua permissão.
Siga o Renato Moterani em:
https://www.facebook.com/renato.moterani.1
https://www.facebook.com/groups/289340324596175/

Patê para alimentação dos peixes por Rodrigo Ziviani



Rodrigo Ziviani, fundador do CCG - Confederação dos Criadores de Guppies do Brasil, ensina como fazer o patê utilizado por ele em sua criação.